quarta-feira, 15 de agosto de 2012

Ágape

Já tem um certo tempo que eu não escrevo, me falta inspiração, vontade e tempo.
Mas venho escrever novamente sobre minha amada vó...
Uns dias antes de ela ir para curitiba para fazer o implante das fontes safenas ela ficou internada no hospital da minha cidade, Turvo. Ela não podia se mover muito pois ela estava correndo muito risco de a qualquer momento sofrer um infarte então o médico que cuidava do caso dela a internou para que ficasse calma e não fizesse nenhum esforço físico já que essa mulher não conseguia ficar parada, confesso que na mesma tarde que ela fora para o hospital eu fui vê-la e durante minha ida, aquela subida do hospital eu senti um aperto no coração, ver ela deitada na cama do hospital me abateu muito, era como se tivessem diminuido o tamanho dela e roubado alguns quilos, segurei a mão dela, não consegui evitar que uma lágrima caisse, eu tive muito medo de perdê-la. Durante nossa conversa ela demonstrou o medo que sentia de dormir sozinha no hospital, depois de algumas irritações somente da minha parte com as enfermeiras consegui então passar aquela noite com ela, e foi a ultima vez que dormi do ladinho da minha avô, antes de dormir ela pediu que eu lê-sse para ela, a vô Santa havia trazido um livro de casa, Ágape era o nome, mal sabia eu o quanto ficaria marcado em minha vida aquela palavra...      Eis o significado de tal "Ágape é o amor incondicional, o amor generoso, o amor sem limites; puro e livre!" Assim que comecei a ler ela perdeu o sono e começou a me contemplar lendo, confesso que eu estava com muito sono e gaguejava por ler rápido demais, certa hora da leitura ela segurou minhas mãos e sorrindo me disse que o amor que ela sentia por mim era Ágape,  eu disse a ela que o meu por ela era também, ahh como eu queria reviver esse momento... O livro foi claro, Ágape é o amor que sentimos incondicionalmente, é o tipo de amor que não esperamos nada em troca, não exigimos mudanças e não necessitamos das mesmas para que possamos amar, pode ser que naquele dia eu tenha entendido o que o livro dizia mas hoje compreendo melhor do que ninguém, eu li o amor que minha vó sentia, eu apenas achei um registro que explica o que minha vó compreendia e a forma que amava, não era para ela que eu lia, foi para eu que eu li. Infelizmente nesta noite que eu fiquei com ela no hospital minha disposição permitiu que eu lê-sse apenas até a página cinquenta e eu prometi para ela que eu ia ler na recuperação dela após a cirurgia, quando ela voltasse de curitiba, bom como vocês entendem ela não voltou com vida, hoje, 2 meses e vinte dias depois de sua partida eu tive coragem de continuar a leitura, mas é algo repetitivo pois esse tal do amor Ágape eu aprendi desde meu nascimento, aprendi em cada gesto de compreenção, de devoção e de perdão que minha vó me ensinou na prática...

Vó, eu te amo muito.

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